Eu sei que estava sempre cansada. Mas é que... Eu não agüentava mais esse mundo! Era sempre cheio de problemas e complicações. Muitas coisas a fazer. E nada me agradava. Tudo parecendo tão falso e errado. Ou simplesmente não servia para mim.
Eu queria um mundo meu. Com as minhas coisas. Um mundo em que eu pudesse ficar em paz e esquecer dos problemas que a terra me trazia. Eu poderia inventá-lo. Mas tudo o que eu imaginava nunca era bom o suficiente. Sempre parecia tão... Incompleto. Na verdade, tudo o que eu fazia e escolhia sempre parecia que faltava algo. Mas eu nunca soube o que.
Todos os dias eu procurava esse mundo na ilusão de encontrá-lo. No caminho da escola até em casa, sempre olhava para os lados na esperança de que algo mágico me chamasse. Às vezes sentia vontade de atravessar as fronteiras do meu trajeto de rotina. Ir por alguma rua desconhecida. Talvez assim encontrasse algo. Mas nunca tive coragem. Seria inútil. Procuraria, não acharia, e me odiaria por alimentar uma falsa esperança. Então, só me restava fazer o que sempre fazia: fechar os olhos enquanto passava entre as árvores mal colocadas, imaginando estar passando perto de um lindo bosque, e imaginar estar caminhando perto de uma lagoa enquanto na verdade, escuto a água cair no rio poluído, mais conhecido como “valão”. Mas imaginar... Era a única coisa que eu poderia fazer.
Margerry Martins
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