terça-feira, 19 de julho de 2011

#o ser que sou,

O espelho me mostra
a imagem vazia
  do ser que sou.
Procuro um significado maior na imagem que vejo.
porém, só vejo dúvidas.
   dúvidas do que sou,
    do que serei,
     do que um dia talvez eu fui.
O espelho me mostra
  a dor dentro de mim,
   empurrada há anos no abismo do esquecimento.
Procuro sua cura,
  mas não tem mais jeito,
    é apenas uma cicatriz de uma ferida que um dia já sangrou ao queimar.
O espelho me mostra
   todas essas mágoas e tristezas
     de minha imagem maltratada.
Mas o espelho não mostra
  o ser que sou por fora da dor.
   Não mostra o sorriso de quando vivo por mim,
    sem me preocupar
 com o que o espelho me mostra,
             ou deixa de mostrar.

                                                                                            Margerry Martins

segunda-feira, 18 de julho de 2011

#flor do pântano,

                Entre palavras entrelaçadas,
                   de tanto correr em busca de coerência,
                Achei teu nome perdido,
                   como a rosa no pântano
                 colorindo o impossível.
                Toquei teus espinhos,
                    encharcados de veneno,
                  sem medo de me ferir.
                Pois teu veneno, curioso, me fez sorrir.

                                                                Margerry Martins

#pássaro engaiolado,

                Abro minhas asas, sedento pelo ar, pela liberdade. O vento percorre pelo meu corpo e estou pronto para pular. Meu coração acelera. Sinto devagar meus pés deixarem o chão, se afastando para o alto, e para o alto... Mas espere, algo está errado! Sinto o choque da pancada de minhas frágeis asas com aquelas linhas cinzas verticais que antes não estavam ali. Desesperado, pulo de um lado para o outro buscando uma saída, sem sucesso. Tento ao menos bater minhas asas, mas é impossível num lugar tão pequeno.
                Onde estou? O que é isso? Aqui não é o meu lugar. Sou um ser vivente, curioso de quaisquer emoções. Preciso do toque, do cheiro, do sabor. Quero abrir minhas asas e voar o mais alto que eu puder. Quero provar de cada nuvem. Sentir o sol queimar minhas penas e o frio me encolher. Quero pousar em cada flor e no fim dizer: Eu as senti.
              Por fim, espero que me soltem! Que devolvam minha essência natural. Não sou para ser assistido, mas se for assim, que me assistam livre. Pois deste jeito, não passo de um filme sem som e sem cor.

                                                                                                                             Margerry Martins