Não há ninguém na noite fria. Ninguém à quem as mãos segurar. Lily está curvada sobre a pedra, abraçando seus joelhos, o olhar atento, com medo... O vento zumbindo entre as árvores, que balançam vorazes e assustam a pobre menina. Ela encolhe-se, como quem tenta entrar em si para fugir da realidade. Mas ela está sozinha e não há como fugir.
Lily ouve o som de galhos se partindo, passos se aproximando, como uma fera que chega à espreita da noite. Bem de leve o som se aproxima e o terror a consome por completo. Lily levanta-se num ato de desespero, corre por entre as árvores, ouvindo os ruídos da perseguição por trás dela. Galhos cortam seu rosto e num descuido, ela tropeça. Apavorada, engatinha para trás da árvore mais próxima e lá encolhe-se aos prantos. O som se aproxima mais e mais, lentamente. Lily sente que há algo a sua frente, porém está assustada demais para arriscar olhar. Então ela ouve o que parece um soluço, ou uma arfada de alívio. Sente mãos tocá-la. Mãos suaves, não de monstro.
- Vai ficar tudo bem, querida.
Lily olha e reconhece o rosto que há dois dias ansiava por rever. Sentir o toque daquelas mãos que sempre garantiam segurança. Sua mãe, com aparência tão cansada e machucada quanto a da menina, a segurou nos braços e apertou forte. Não foi somente um abraço, foi um aviso de que nunca mais iria deixá-la sozinha novamente e que sempre estaria ali para protegê-la.
Margerry Martins