quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

#Chuva de Dezembro,

Está tão silencioso aqui fora...
Mas a chuva dança meus pés.
Num rodopio de pés descalços,
Com o brilho colorido sobre as casas.
Mas a dor chove,
E a dor morre.
Enquanto o vento sopra,
E o meu corpo dança,
Sobre a chuva tão fria,
Nesse vazio tão intenso.
Com esse silêncio,
Essa solidão.
Mas meu corpo dança.
Essa dança sem sentido,
Nessa chuva de dezembro.

E essa busca de sentido,
Nesse vazio que vai durar,
Talvez uma chuva,
Ou uma dança,
Pra esse silêncio curar.
E dezembro se arrastando,
Me pisando.
Enquanto eu espero.
Por onde ando.
Enquanto danço.

Margerry Martins

domingo, 27 de novembro de 2011

#Mancha.

Não sou como um desenho que desmancha,
Ou como um quadro que se parte.
Sou apenas uma mancha,
Tentando ser obra de arte.

Margerry Martins

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

#Enterrada,

Sentada a beira mar, no alto das pedras, sentia-se livre. O vento tocava seu rosto. As gotas das ondas que se quebravam próximo a ela, molhavam levemente seu corpo, e ela sentia-se em paz, como há tempos não havia sentido. Cantava junto ao som do mar, uma música que sobre o mar dizia. Fechava os olhos e os abria devagar, com medo de acordar em seu quarto sem portas e sem janelas, o qual ela desejava nunca mais voltar. “Isso é real?” Ela se perguntava. E a brisa do mar lhe respondia.
Desceu das pedras e caminhou sobre a areia. Sentia seus pés afundarem em grãos e em sonhos. Tocou no mar com os pés. Sentiu seu corpo flutuar por sobre ele. Sua mente navegou por baixo d’água. Pode ver cada ser que havia ali, mesmo com os olhos fechados.
Respirou aquele ar do mundo. O ar natural. Sabia que por mais que indesejável, teria que voltar à sua cela. Perpetuou a imagem daquilo dentro de si e foi andando segurando o coração na mão. Parou onde julgava ser um lugar seguro e cavou sete palmos na areia fina. Pôs seu coração bem no fundo e o enterrou. Ela estaria sempre ali, por fim. Enterrada à sete palmos. Seu coração, por mais que ela quisesse que fosse livre, ao menos ficaria em um lugar que realmente amasse. Não em sua cela gélida ou seu corpo mórbido.
Ao passar do tempo, estava ela de novo naquele lugar frio, sem vida. Encolhida com a  cabeça sobre as pernas e com um sorriso no rosto. Sua alma estava morta. Seu corpo vazio agonizava. Mas seu coração pulsando por baixo da areia e a imagem que guardara dentro de si ainda a mantinham respirando. Mantinham-na sorrindo. E assim ela seguia, vivendo de lembranças, adormecendo a agonia, e ignorando todo dia o vazio que nela havia.

                                     Margerry Martins

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

#Escultura,

Uma respiração mais funda e a dor varre o pó do desuso. Como uma escultura exposta para criticas, pairada próxima à porta. Apenas imóvel, ouvindo as vozes apontando seus erros que parecem tão irrelevantes para si. O que são as larvas para os cadáveres? E jogava promessas ao vento como areia, que se dissipam por sua falta de veracidade.  Tolos aqueles seres que creiam e esperavam por mudanças. Pois a mentira lhe parecia tão insignificante quanto o pó que nela havia.
Por pior que tudo pareça, são apenas fatos irrevogáveis. O tempo se arrasta deixando apenas manchas de sangue pelo chão. Todo dia o sol nasce. Se parte trazendo a lua, e retorna com sua partida. E todo dia a escultura permanece pairada, próxima a porta.

                                      Margerry Martins

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

#ilusório,

Eu corri pelas nuvens,
   Naveguei entre a neblina,
     Mergulhei em teus olhos,
        E sorri com tuas promessas.

Viajei em teu cheiro,
  Segurei tuas mãos,
    E com um beijo, nos calamos.

Senti tua presença,
   Tua vontade, teu amor.
Mas sem esperar,
      Tu se foste...

Dissiparam-se as imagens,
   Abriram-se meus olhos.
     Cumprimentei a realidade,
        E com o pé esquerdo, novamente, pisei no chão.

                                                                                              Margerry Martins

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

#subordinada,

Eu estava segurando a tanto tempo essas lágrimas
A cada dor que me empurrava
E me obrigava à soltá-las,
Eu resistia.
Mas você disse as palavras erradas, meu bem.
O meu corpo estremeceu, a umidade escorreu de dentro dos meus olhos...
Com as mãos cerradas, obrigada deixei sair toda aquela dor.
E o seu sussurro ecoou dentro de mim...
A dor dançou em mim, meu amor.
E o meu palpitar, foi por você, mais uma vez.
A dor em te perder, de não te ver, exasperada.
Ainda que não fosses meu, ao menos teu abraço poder apreciar
Com tuas mãos poder brincar,
Ao menos mais uma vez, meu amor.


                                                                                           Margerry Martins

terça-feira, 19 de julho de 2011

#o ser que sou,

O espelho me mostra
a imagem vazia
  do ser que sou.
Procuro um significado maior na imagem que vejo.
porém, só vejo dúvidas.
   dúvidas do que sou,
    do que serei,
     do que um dia talvez eu fui.
O espelho me mostra
  a dor dentro de mim,
   empurrada há anos no abismo do esquecimento.
Procuro sua cura,
  mas não tem mais jeito,
    é apenas uma cicatriz de uma ferida que um dia já sangrou ao queimar.
O espelho me mostra
   todas essas mágoas e tristezas
     de minha imagem maltratada.
Mas o espelho não mostra
  o ser que sou por fora da dor.
   Não mostra o sorriso de quando vivo por mim,
    sem me preocupar
 com o que o espelho me mostra,
             ou deixa de mostrar.

                                                                                            Margerry Martins

segunda-feira, 18 de julho de 2011

#flor do pântano,

                Entre palavras entrelaçadas,
                   de tanto correr em busca de coerência,
                Achei teu nome perdido,
                   como a rosa no pântano
                 colorindo o impossível.
                Toquei teus espinhos,
                    encharcados de veneno,
                  sem medo de me ferir.
                Pois teu veneno, curioso, me fez sorrir.

                                                                Margerry Martins

#pássaro engaiolado,

                Abro minhas asas, sedento pelo ar, pela liberdade. O vento percorre pelo meu corpo e estou pronto para pular. Meu coração acelera. Sinto devagar meus pés deixarem o chão, se afastando para o alto, e para o alto... Mas espere, algo está errado! Sinto o choque da pancada de minhas frágeis asas com aquelas linhas cinzas verticais que antes não estavam ali. Desesperado, pulo de um lado para o outro buscando uma saída, sem sucesso. Tento ao menos bater minhas asas, mas é impossível num lugar tão pequeno.
                Onde estou? O que é isso? Aqui não é o meu lugar. Sou um ser vivente, curioso de quaisquer emoções. Preciso do toque, do cheiro, do sabor. Quero abrir minhas asas e voar o mais alto que eu puder. Quero provar de cada nuvem. Sentir o sol queimar minhas penas e o frio me encolher. Quero pousar em cada flor e no fim dizer: Eu as senti.
              Por fim, espero que me soltem! Que devolvam minha essência natural. Não sou para ser assistido, mas se for assim, que me assistam livre. Pois deste jeito, não passo de um filme sem som e sem cor.

                                                                                                                             Margerry Martins

sábado, 5 de março de 2011

#where are?

Onde estão minhas palavras? Meu desejo de escrever? Sinto falta daqueles meus textos gigantes, de sentir minhas palavras levando cada sentimento meu consigo. De imaginar as mais loucas histórias e lugares.
Porque tudo mudou? Porque você também parou de escrever? Sinto falta da época em que conversamos até tarde da noite, sobre nossos textos e sobre outros assuntos aleatórios. Sinto falta da nossa amizade. Sinto culpa.
Talvez eu seja a causadora de tudo isso, por ter sido um tanto... Insensível com você. Mas também doeu em mim.
Só quero que as coisas voltem a ser como antes. E odeio estar sendo tão direta.

Margerry Martins

#two worlds,

Eu sempre me senti muito fora de lugar. Muito “deslocada”.  Sempre “a diferente”.  Eu desejava intensamente a paz. Algum lugar onde eu pudesse ficar sozinha. Amigos que gostassem de mim pelo o que sou, e que eu pudesse ter certeza que estariam sempre comigo, se arriscariam por mim.
Por mais que eu conhecesse várias pessoas com as quais eu conversava, brincava, me divertia, nunca parecia estar completo. Eu tinha a impressão que algo estava faltando. Nada me prendia. Por mais que eu me divertisse ali, eu ainda preferia ficar sozinha, em casa. E isso realmente me incomodava. Mas agora era diferente. Aquele lugar me completava. Eu me sentia bem em estar ali. Gostava de ficar com meus novos amigos, e com eles, eu podia ser eu mesma. Lá tinha exatamente o que eu precisava. Tinha minha paz, meu ponto de fuga. Nós íamos para um canto, simplesmente para não fazer nada. Ficar olhando o céu, as plantas. Riamos, nos divertíamos, nos aventurávamos.
O único problema, é que eu estava me desligando do mundo de fora. Quando eu voltava pro meu mundo chato e normal, ficava irritada. Cansada. Não queria ter voltado. Eu o estava... Esquecendo? Mas não era isso o que eu queria. Queria ter meu “lugar ideal”, mas não por isso esquecer o meu passado. Esquecer dos meus velhos amigos, do meu velho lar. Queria poder ter tudo. Talvez poder viver cada mundo de um modo diferente, como se nada os ligasse. Como se fosse a vida real e uma história escrita. Como se eu pudesse ter duas vidas. Mas isso era impossível. Eu ligava os dois mundos. E precisava equilibrá-los. Fazer nenhum atrapalhar o outro, só não sabia como.

Margerry Martins