domingo, 27 de novembro de 2011

#Mancha.

Não sou como um desenho que desmancha,
Ou como um quadro que se parte.
Sou apenas uma mancha,
Tentando ser obra de arte.

Margerry Martins

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

#Enterrada,

Sentada a beira mar, no alto das pedras, sentia-se livre. O vento tocava seu rosto. As gotas das ondas que se quebravam próximo a ela, molhavam levemente seu corpo, e ela sentia-se em paz, como há tempos não havia sentido. Cantava junto ao som do mar, uma música que sobre o mar dizia. Fechava os olhos e os abria devagar, com medo de acordar em seu quarto sem portas e sem janelas, o qual ela desejava nunca mais voltar. “Isso é real?” Ela se perguntava. E a brisa do mar lhe respondia.
Desceu das pedras e caminhou sobre a areia. Sentia seus pés afundarem em grãos e em sonhos. Tocou no mar com os pés. Sentiu seu corpo flutuar por sobre ele. Sua mente navegou por baixo d’água. Pode ver cada ser que havia ali, mesmo com os olhos fechados.
Respirou aquele ar do mundo. O ar natural. Sabia que por mais que indesejável, teria que voltar à sua cela. Perpetuou a imagem daquilo dentro de si e foi andando segurando o coração na mão. Parou onde julgava ser um lugar seguro e cavou sete palmos na areia fina. Pôs seu coração bem no fundo e o enterrou. Ela estaria sempre ali, por fim. Enterrada à sete palmos. Seu coração, por mais que ela quisesse que fosse livre, ao menos ficaria em um lugar que realmente amasse. Não em sua cela gélida ou seu corpo mórbido.
Ao passar do tempo, estava ela de novo naquele lugar frio, sem vida. Encolhida com a  cabeça sobre as pernas e com um sorriso no rosto. Sua alma estava morta. Seu corpo vazio agonizava. Mas seu coração pulsando por baixo da areia e a imagem que guardara dentro de si ainda a mantinham respirando. Mantinham-na sorrindo. E assim ela seguia, vivendo de lembranças, adormecendo a agonia, e ignorando todo dia o vazio que nela havia.

                                     Margerry Martins

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

#Escultura,

Uma respiração mais funda e a dor varre o pó do desuso. Como uma escultura exposta para criticas, pairada próxima à porta. Apenas imóvel, ouvindo as vozes apontando seus erros que parecem tão irrelevantes para si. O que são as larvas para os cadáveres? E jogava promessas ao vento como areia, que se dissipam por sua falta de veracidade.  Tolos aqueles seres que creiam e esperavam por mudanças. Pois a mentira lhe parecia tão insignificante quanto o pó que nela havia.
Por pior que tudo pareça, são apenas fatos irrevogáveis. O tempo se arrasta deixando apenas manchas de sangue pelo chão. Todo dia o sol nasce. Se parte trazendo a lua, e retorna com sua partida. E todo dia a escultura permanece pairada, próxima a porta.

                                      Margerry Martins