Abro minhas asas, sedento pelo ar, pela liberdade. O vento percorre pelo meu corpo e estou pronto para pular. Meu coração acelera. Sinto devagar meus pés deixarem o chão, se afastando para o alto, e para o alto... Mas espere, algo está errado! Sinto o choque da pancada de minhas frágeis asas com aquelas linhas cinzas verticais que antes não estavam ali. Desesperado, pulo de um lado para o outro buscando uma saída, sem sucesso. Tento ao menos bater minhas asas, mas é impossível num lugar tão pequeno.
Onde estou? O que é isso? Aqui não é o meu lugar. Sou um ser vivente, curioso de quaisquer emoções. Preciso do toque, do cheiro, do sabor. Quero abrir minhas asas e voar o mais alto que eu puder. Quero provar de cada nuvem. Sentir o sol queimar minhas penas e o frio me encolher. Quero pousar em cada flor e no fim dizer: Eu as senti.
Por fim, espero que me soltem! Que devolvam minha essência natural. Não sou para ser assistido, mas se for assim, que me assistam livre. Pois deste jeito, não passo de um filme sem som e sem cor.
Margerry Martins
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