Ela estava com medo. Corria por aquela rua deserta e desconhecida. Sabia que não acharia uma saída. Mas precisava correr. Precisava fugir Dele. Porém era impossível. Ela sabia que a noite ainda seria inexplicavelmente longa. E Ele não pararia de persegui-la enquanto a noite não acabasse.
Não havia nada que ela pudesse fazer. Apenas correr. Ou então desistir. Parar e o deixar alcançá-la. Mas apesar de tudo, ela ainda dava valor a sua vida. Sabia que tinham pessoas esperando por ela. Sua família, seus amigos. E por eles não desistiria. Apesar de essa idéia ser completamente irresistível. Ela estava apavorada e cansada de fugir. E o medo insano a fazia encher sua cabeça de maus pensamentos.
Ela podia sentir os vultos dele perseguindo-a. Sua espinha tremia como se estivesse coberta por gelo. As lágrimas começavam a descer. O desespero tomava conta. Seus pés começavam a se atrapalhar, ameaçando cair. Sua vida inteira passava diante de seus olhos, e ela se perguntava até aonde chegaria.
O mundo não é justo. Mas não podemos reclamar. É assim que ele é. Coisas que duraram tantos e tantos anos, pode se acabar em um segundo.
Então ela cometeu um erro. Seus pés desesperados por velocidade se atrapalharam. Ela caiu. Sentiu a sombra parando atrás dela. As lágrimas cessaram. Ainda restava uma última gota em seu rosto.
– Então é assim? – Disse ela. – Eu perdi, afinal.
– Não. Eu perdi.
Ela virou seus olhos, que antes fitavam o chão, para trás. Ele estava em pé, parado. Sua mão posta em seu peito como quem faz um juramento. Ela se assustou ao ver o sangue descendo pelo corpo dele. Seus olhos incrédulos estavam injetados de sangue e lágrimas. Ela não podia entender como isso tinha acontecido. Quem o teria matado?
Então, quando ela olhou para suas mãos, pode ver o sangue, a prova daquele homicídio. Desespero e horror tomaram conta dela.
Olhou novamente para ele, que parecia tentar dizer algo. Suas mãos apertavam seu coração na inútil tentativa de parar a dor. Sua voz saiu:
– Eu só queria amar você. Então porque matastes o meu amor?
Seu corpo caiu ao lado dela. Ela ainda não conseguia acreditar. Mas era verdade. Então sua última lágrima finalmente caiu.
Margerry Martins
a perfeição reina em seu blog ! :*
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