Ela estava sozinha novamente. Tanta gente em volta... Mas o vazio sempre era maior. Quando isso ia acabar? Ela deduzia que faltavam poucos dias. As aulas acabariam e seu passado seria deixado para trás. Mas e se não passasse? E se as lembranças atormentassem até o fim? Não dava para saber.
Era difícil saber o que fazer. Ela estava muito confusa. Não sabia se deixava o ano acabar e talvez as dores junto ou tentava acabar com elas antes. Aliás, nem sabia como derrotá-las. O que as causavam? Eram tantas coisas... E ela sabia que era impossível acabar com todas. Na verdade, eram todas inevitáveis. Ela apenas sofria pelo seu destino prescrito.
Não doía mais tanto. Ela já tinha se acostumado com a idéia de estar sozinha. Perdera seus amigos, seu amor, sua relação com a família não andava muito boa. E de quem era a culpa disso? Ela havia errado tanto assim? Em todo esse tempo, não tomou nenhuma atitude certa? Pelo visto não.
Ela havia tomado uma decisão que ao menos parecia certa. Decidiu afastar-se do que a fazia mal. Não queria mais parecer a idiota que abaixa a cabeça. Que aceita ordens e insultos. Mas não ia se esforçar para mudar sua imagem ali. Como havia dito, restava pouco tempo.
Com o tempo, ela percebeu que não sorria mais. Não por estar triste demais para isso, mas sim por não ter motivos para sorrir. O mundo parecia tão sem cor. E isso já estava assim há algum tempo. Antes mesmo da decisão. Talvez ela sempre soubesse que estivera errada. Não pensava nas coisas antes de fazê-las. Só fazia o que achava mais fácil. E agora sofre as conseqüências...
Margerry Martins
Nenhum comentário:
Postar um comentário