quarta-feira, 8 de setembro de 2010

#preocupações, antecipadas...

Eu estava há horas deitada, sem conseguir dormir. Só pensando em como tudo seria no dia seguinte. Aquele fim de semana parecia ter sido o maior de toda a minha vida. Tinham tantas coisas na minha cabeça. E sobre um só assunto. Aquela dor, já estava durando há quase uma semana. Mas uma dor tão intensa... E quando a dor começou, não havia nada. Nada para me preocupar. Mas a dor dizia algo. Eu sabia, desde o começo que havia alguma coisa.
            Quando começaram a surgir problemas, as pessoas botavam a culpa em mim. Diziam que era só uma lição pelos erros que cometi. Mas eu sabia que não. Sentia que não. Que era muito além disso. Ao mesmo tempo em que me sentia culpada. E se fosse verdade? E se fosse realmente uma lição? Mas não podia ser. Algo dentro de mim dizia que não. E isso realmente me assustava.
            A dor aumentava a cada dia. Mais freqüente e intensamente. Até que chegou ao ponto dela nem dar mais trégua. Era direto, sem dó, a dor pulsando e me despedaçando dentro de mim. Doía tanto...
           As evidências começaram a surgir. Provas de que eu estava certa. Havia algo mais. Tudo indicava que eu tinha razão. Porém, sempre restava aquele pouquinho de esperança lá no fundo. Eu queria esperar ter certeza. Queria que me dissessem alto e claro: Você estava certa.
            Era impossível pensar em outra coisa. A dor dentro de mim não me deixava descansar. Eram vinte e quatro horas por dia. Mas eu não queria transparecer isso. Odiava quando as pessoas perguntavam demais. Pessoas querendo parecer preocupadas, mas não, era sempre curiosidade.
            Eram provas demais. Eu já podia ter certeza de que estava certa. Mas a minha teimosia comigo mesma não deixava. Eu queria esperar, enquanto me torturava com teorias. Mas eu sempre soube, sempre estive certa...
            Até que finalmente minha confirmação chegou. Na hora em que a vi, pude ouvir uma única batida lenta do meu coração. Foi como se parasse. Mas doeu tanto, tanto.
            O ódio tomou conta de mim. Eu queria vingança. Queria o mal daquele que me fez sofrer. Vários planos formaram-se na minha cabeça. Eu estava fora de mim. Estava irracional. O ódio misturado com a minha dor tomaram conta de mim. Completamente.
            Eu estava tão revoltada. Mas eu logo vi, pra que tanto ódio? Ele jamais mudaria o que aconteceu. Era inútil revoltar-me com um fato. Então eu aceitei. Aceitei a dor que eu sabia que não partiria nem tão cedo. Aceitei o fato de não morar mais em um coração. Aceitei o meu futuro. Eu poderia me deprimir. Chorar e chorar. Gritar. Jogar tudo na cara daquele que me fez sofrer. O culpar por tudo. Mas isso mudaria alguma coisa? A dor iria embora? Só pioraria. Aceitar conviver com ela seria tão mais fácil.
            Doía tanto cada vez que pensava em todo o futuro que eu planejei, terminado assim. Todos os meus planos... Por isso achei melhor não pensar nisso. Eu poderia pensar em tantas coisas. Que tal começar a planejar um novo futuro? Um melhor e mais bonito!
            Um sorriso brotava no meu rosto. Eu podia sentir as lágrimas querendo acompanhá-lo. A dor, ela não iria sair dali, eu sabia disso. Mas ela estava quieta. Talvez com o tempo ela visse que o ódio não voltaria para apoiá-la e fosse embora. E eu ia esperar.
            O sono começara a surgir. Acho que feita a paz entre minhas emoções que não cessavam suas brigas, eu me acalmei. Estava mais tranqüila. Provavelmente meu sonho me atormentaria e eu acordaria com as brigas novamente. Mas isso era questão de tempo. Mesmo assim, o medo do dia seguinte me atormentava. Eu teria que resolver tudo, apesar de já ter todos os planos em mente. Não dava em nada me preocupar antecipadamente. Então tornei a me acalmar e fui em busca de resolver o meu provável sonho atormentado.

Margerry Martins

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