sábado, 14 de agosto de 2010

alguns textos antigos,

#um coração sem veias,

O que leva alguém a fazer algo assim? Chega a ser cruel. Puxaram cada vaso, cada veia do meu coração covardemente. Mas eu não reclamei. Aceitei meu destino e esperei que até o meu último fio de vida fosse arrancado. Porém, de repente pararam de puxar. A dor foi pior, fiquei agonizando, gritando, na vã esperança de que aquilo acabasse. Teria sido melhor se tivessem arrancado tudo logo. Mas acho que gostavam de me ver sofrer.
Apareceram duas pessoas.  Estranhei ao ver alguém depois de tanto tempo na minha solitária. Mas fiquei feliz, então eles começaram a repor, vaso a vaso, veia a veia. Eu já podia sentir a força da vida entre meu corpo novamente. Meu coração batia forte, feliz por poder pulsar outra vez.
Mas alguma coisa estava errada. Faltava alguma das veias. Foi então que um dos meus salvadores arrancou a veia de si e colocou-a em mim, conseguindo assim, completar meu coração. Fiquei feliz com o ato, apesar de não entender o motivo que levou meu salvador a cometer tal sacrifício.
Tudo começou a melhorar. O sol parecia brilhar mais aos meus olhos. Até que então eu notei.  Comigo, estava tudo bem. Mas parece que ao meu salvador, aquela pequena veia lhe fazia falta. Acho até que fez mais falta a ele do que demonstrava.
Ele começou a ficar diferente. Agia estranho comigo. Talvez quisesse a veia de volta, mas não achava justo pedi-la. Ele foi se afastando. Mas quanto mais ele se afastava, mais eu sentia minhas veias se afastarem também. Não bastava apenas as veias estarem ali. Também precisava de que meu salvador as segurassem para mim. Eu sabia que a veia lhe fazia falta, por isso, eu a entregaria sem problemas. Para quem já esteve sem nenhuma, menos uma não faria falta.
Entretanto, eu precisava do meu salvador. Mais do que de qualquer uma daquelas veias. Precisava de que ele estivesse ali, para segurá-las para mim. Porque senão, eu iria acabar morrendo, da mesma forma.

Margerry Martins

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#Pensando, à noite

Eu não sabia mais como respirar. Não sabia por que não respirava mais. Estava tudo tão confuso, e nada parecia que iria se resolver. Queria ficar sozinha. Não queria que vissem a que estado eu cheguei. Eu mesma não me reconhecia, sempre fui tão feliz! O que será que veio estragar a minha vida?
Fui para o meu quarto. Ia tentar dormir, assim pelo menos esqueceria tudo por algumas horas. Pena que não consegui. Nada saia da minha cabeça, estava tudo ali, tão confuso. Eu não conseguia entender o que estava ou não me incomodando. Comecei a chorar, inutilmente. Não sabia por que, mas chorava. E parecia que a cada segundo, era mais alguma coisa, vindo me incomodar. Eu queria parar! Só isso. Estava cansada de sofrer, cansada de chorar sem motivo. O que é que absorvia a minha alma? Seja lá quem for que estava com o meu coração na mão, apertando-o, eu apenas queria que parasse. Estava doendo mais do que eu podia suportar.
Desci da cama e me deparei com o espelho, refletindo tudo aquilo que eu não queria ver. Vi um rosto que refletia sofrimento. Olhos vermelhos e inchados, cansados de expulsar tanta lágrima. Uma imagem decadente de uma garota distinta do mundo ao seu redor. Eu olhava para o meu reflexo, mas não entendia porque ele tinha que ser tão diferente dos outros. Os olhos, não eram olhos de uma garota de 14 anos. Eu deveria estar pensando em maquiagens, roupas, shoppings, coisas banais da adolescência. Mas eu não estava pensando em nada disso. Eu olhava para as minhas amigas e as via tão diferentes de mim. Eram bonitas, usavam cores coloridas, eram felizes! Então porque eu era assim? Escondia-me no preto, me achava horrível, era infeliz. Por que eu tinha que ser tão diferente?
Desisti de olhar para o espelho. Aquela imagem deprimente não estava ajudando em nada. Fui beber água e voltei para a cama. Olhei para o teto, pensando em tudo. Fechei os olhos, olhando para o fundo daquele poço sem luz onde minha alma se encontrava. Queria descobrir qual era o problema dela. Saber o porque de ela não sair da escuridão e ir para onde há luz. Mas não tive resposta. Então deixei que o sono finalmente me alcançasse.

Margerry Martins

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#mundos,

As pessoas andam por muitas ruas, caminham por varios lugares. Queria saber se elas realmente conhecem cada um deles. Observei cada mundo, ouvi muitas histórias, então, pude ver quatro mundos. Quatro mundos emocionais. O primeiro, é o mundo em que vivemos, dia-a-dia. Onde o "ruim" e o "bom" vivem juntos, de modo harmonioso. Lá, existem muitas cores, sons. O ar é normalmente poluido. Pessoas que estão lá, geralmente são felizes. Teem metas, sonhos, promessas a cumprir, objetivos. E estão sempre tantando realizá-los, para poder sair deste mundo e encontrar um mundo melhor. Erro. Até que então, o objetivo de vida é cumprido. O sonho é realizado. E assim se chega ao segundo mundo. As pessoas estão no auge da felicidade, estão praticamento no "paraíso", nada mais as deixa triste. As cores são as mais belas, quase intocadas pelo homem. O ar é puro. A felicidade chega em forma de exagero, tudo parecendo "bom demais para ser verdade". Nada dura pra sempre, então, um dia, as pessoas caem do "paraíso", encontrando assim, o terceiro mundo, o "inferno". Ter a felicidade arrancada brutalmente, é algo quase insuportável para o ser humano, então, lá eles acham o sofrimento, a tragédia, a dor. Tudo causado pela própria ambição. No terceiro mundo, é tudo muito vermelho, muito triste. Os sons são gritos de desespero. O ar é rarefeito. É praticamente como estar acorrentado em meio a um campo de guerra. E é bem dificil se soltar dessas correntes. Então as pessoas desistem de tentar fugir. Aceitam a própria prisão aterrorizante. Acostumam-se com a dor, com a falta de ar, com o sofrimento, a tragédia, a ausência de felicidade. Até que não sentem mais nada. Nem felicidade, nem tristeza. E isso, por desistirem de si mesmos, por isso perdem a própria alma em um abismo extinto de agua, luz, cores, sons. As pessoas que estão nesse quarto mundo, não sentem absolutamente nada. É como estar em um quarto trancado, sem luz, em pé. Essas pessoas vivem simplismente por instinto. Ou melhor, não vivem. E neste lugar, se perdem para sempre, pois não pode se enxergar a saída. Não pode se enxergar nada. Estão perdidas, completamente. E nem tentam mais. São muito raras as pessoas que se dão conta de onde enfim chegaram, e tentam inútilmente escapar. Esperaram demais. Aguentaram o que não deveriam aguentar. Perderam-se para sempre. Não que nenhuma pessoa nunca tenha consiguido escapar. Sempre há uma esperança, não importa o quão fundo você esteja no poço, sempre há a esperança de sair. Então as pessoas sempre tentam. Estão sempre tentando sair de um lugar, para achar outro, contando com que este seja melhor. Mas do outro lado de uma porta, pode não ter uma saída.

Margerry Martins

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